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Artigo: A Administração sob nova direção

Foto do escritor: Secretaria Executiva
Secretaria Executiva
7 de abr.
3 min de leitura

A observação da Administração Pública brasileira desperta fascínio. Esse filme do Estado em movimento — antes lento e sem cores, agora mais colorido e acelerado — convida os estudiosos a encarar um universo em plena transformação. É um cenário alvissareiro e desafiador, como é próprio de um sistema acostumado ao formalismo e ao autoritarismo, que hoje reúne forças para se transformar em um realizador de direitos fundamentais.


Esse movimento de transformação é impulsionado, em grande medida, pelo pragmatismo. No curto espaço das últimas décadas, conhecemos de tudo um pouco: a administração gerencial, o temido “apagão das canetas” e o rápido avanço tecnológico. Do tilintar de um pregão eletrônico, já se avança às compras no marketplace; do uso de minutas padronizadas, salta-se para a inteligência artificial generativa, visando tornar cada vez mais refinada a contratação pública — já sob a batuta da nova (??) Lei de Licitações. Não tarda para debatermos a regulação algorítmica e os limites éticos de uso da IA na tomada de decisões públicas, desafiando conceitos clássicos de motivação e transparência.



A ilegalidade foi se revestindo de juridicidade


A indisponibilidade do interesse público conformou-se a uma Administração que se senta à mesa para negociar. As pontes já não precisam ficar pela metade, enquanto se discute a culpa e os culpados, com a sociedade pagando o preço por um purismo jurídico imprudente.


Ao abraçarmos o pragmatismo, consagramos a ideia de que não se pode mais anular contratos com base em valores abstratos. A invalidação de um ato perdeu o verniz de virtude se não vier acompanhada de um olhar corajoso para o “dia seguinte”. A tomada de decisão deixou de ser um exercício dogmático cego; a Administração vem aprendendo que não vale a pena seguir a regra com rigor cirúrgico impecável se o resultado for a morte do paciente. Soberana não é a lei, é a vida!


Imbuído desse novo espírito, o ordenamento jurídico adotou o o consequencialismo. A regulação responsiva passou a ser realidade. Os órgãos e entidades com competências sancionatórias não se limitam mais às antigas balizas do poder disciplinar e da lógica de “comando e controle”. A sanção não é um fim em si mesma; a Administração deve valer-se de instrumentos dialógicos para a indução de comportamentos.


Os contratos da administração abandonam, aos poucos, a ilusão da onisciência. Afasta-se a premissa de que o instrumento nasce engessado, com a pretensão de prever cada suspiro da execução desde o primeiro dia. Hoje, reconhece-se a inevitabilidade da incompletude em ajustes de longo prazo. Neles, a mutabilidade deixa de ser vista como desvio de rota para assumir o papel de atributo intrínseco.


As matrizes de obras, serviços e alocação de riscos passam a ser tratadas como organismos vivos, exigindo readequações periódicas para absorver o impacto de novas tecnologias e o choque com a realidade fática. Entregar, de fato, a utilidade pública que justifica o contrato é mais importante do que garantir a aplicação de um texto parado no tempo.


Nesses mesmos contratos, os verificadores independentes assumem como pilar da governança contratual, inclusive na mediação e apoio à solução de disputas. Paralelamente, a própria lei, em marcos recentes, abandona a pretensão do controle exaustivo para estimular a autorregulação. É o triunfo de um modelo que compreende que o melhor controle não é aquele que asfixia a iniciativa sob pilhas de papel, mas o que assenta o caminho e deixa procedimentos eficientes fluírem, sob o olhar vigilante, porém mais estratégico, do Estado.


O cenário desenhado é todo formidável: o Direito Administrativo clássico precisa entender como a máquina roda na prática, com novos e mais intrincados desafios se apresentando à frente. Tudo isso, e mais um tanto, cabe em um belo espaço qualificado de discussão no maior site jurídico do Brasil.


A porta está aberta. Sejam bem-vindos à Engrenagem Pública.

___________________________

Artigo de: Wesley Bento

Advogado. Procurador do Distrito Federal. Mestre em Direito Constitucional, pelo IDP. Pós-graduado em Direito Processual Civil, pela PUC-SP. Possui MBA em Parcerias Público-Privadas e Concessões, pela FESP-SP/LSE Enterprise. Foi diretor jurídico da Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal, assessor jurídico do Governo do Distrito Federal, conselheiro titular da OAB/DF e conselheiro do Conselho Superior da Procuradoria-Geral do DF. Foi Presidente do Conselho de Administração da DF Gestão de Ativos. Presidiu a Comissão de Direito Administrativo e a Comissão da Advocacia Pública, e foi vice-presidente da Comissão de Direito Regulatório da OAB/DF e da 10ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/DF.

3 comentários


ansarbro5353s
13 de ago.

This information can be especially helpful for users who want to understand how their router works behind the scenes. On compatible hardware, 10.10.0.1 may provide access to management settings. These can include Wi-Fi configuration, network details, credential controls, and security-related options for routine administration.

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maxh65183
16 de abr.

Acompanhei o artigo sobre a nova direção da administração e achei a análise muito pontual, especialmente para quem acompanha a gestão pública aqui no Brasil. Acabei chegando nessa página de forma bem aleatória: estava navegando por alguns fóruns e li uma recomendação sobre a interface do cassino pix que apareceu em uma sugestão de busca, o que me fez abrir várias abas sobre inovação e processos modernos até cair aqui neste texto. O artigo consegue captar bem os desafios dessa transição e a leitura flui de forma muito orgânica. É um material excelente para deixar guardado nos favoritos e usar como referência para entender as novas diretrizes administrativas.

Editado
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vosunen
16 de abr.

The clarity in outlining organizational change is particularly helpful. I recently came across a similar discussion on a review blog, and it offered an interesting perspective as well, where a comparison point even loosely connected to https://thesagelawgroup.ca/ appeared in a broader context of structured decision-making analysis.

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