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Liderança feminina: avanço ainda insuficiente e desafios para a política pública

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    Secretaria Executiva
  • há 21 horas
  • 3 min de leitura

O debate sobre a ampliação da presença feminina em posições de liderança continua sendo um dos temas centrais para a construção de ambientes institucionais mais equilibrados, inclusivos e representativos. Em artigo publicado neste domingo (8), data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a presidente do Fórum Nacional de Secretarias Municipais de Administração das Capitais (FONAC), Marcela Arruda, analisou dados recentes sobre a participação feminina em cargos de comando e apontou desafios que ainda precisam ser enfrentados por organizações públicas e privadas.


No texto, intitulado “Liderança feminina: avanço ainda insuficiente e desafios para a política pública”, Marcela Arruda apresenta evidências de estudos internacionais que mostram avanços graduais, porém ainda limitados, na ocupação de posições estratégicas por mulheres no mercado de trabalho. De acordo com levantamento baseado em dados da plataforma LinkedIn, as mulheres representam 44% da força de trabalho global, mas ocupam apenas 31% dos cargos de liderança, evidenciando um déficit estrutural na progressão profissional.


Entre 2015 e 2022 houve um crescimento gradual na presença feminina em posições de liderança, passando de 27,9% para 30,7%, com aumento médio anual de 0,4 ponto percentual. Entretanto, o estudo aponta que esse avanço perdeu ritmo nos últimos anos. Entre 2022 e 2025, o crescimento foi de apenas 0,3 ponto percentual, indicando uma desaceleração no processo de ampliação da liderança feminina no cenário global.


Segundo os dados analisados no artigo, 62% dos países avaliados mantiveram ou reduziram a participação de mulheres em cargos de liderança em 2025, o que sugere que momentos de retração econômica e instabilidade no mercado de trabalho tendem a afetar de maneira mais intensa a ascensão feminina aos postos mais altos das organizações.


No caso brasileiro, o artigo destaca que o país apresenta desempenho levemente superior à média global. Em 2025, as mulheres ocupavam 32,2% das posições de liderança no Brasil, percentual que coloca o país em posição intermediária no cenário internacional. Ainda assim, o índice permanece abaixo de diversos países da América Latina, como Colômbia, Costa Rica e Chile, que apresentam participação feminina mais elevada em cargos de comando.


Marcela Arruda também destaca que a presença feminina em posições de liderança varia significativamente entre os diferentes setores econômicos. Áreas como saúde, educação e varejo apresentam maior participação de mulheres em cargos estratégicos, enquanto setores como construção, petróleo, mineração e logística permanecem marcadamente masculinizados.


Outro aspecto relevante apontado por Marcela Arruda é o recorte geracional. A participação feminina em posições de liderança cresce entre as gerações mais jovens, alcançando percentuais mais elevados entre millennials e integrantes da geração Z. Embora esse dado indique mudanças em curso, a análise ressalta que o avanço não ocorrerá automaticamente apenas com o passar do tempo. Experiências internacionais demonstram que os países que avançaram mais rapidamente nesse campo combinaram transformações culturais com políticas públicas e instrumentos institucionais voltados à promoção da equidade de gênero.


“Não se trata apenas de reconhecer talento, mas de criar medidas intencionais e condições concretas para que ele alcance, de fato, os espaços de decisão.” 

Entre as medidas consideradas eficazes estão políticas de desenvolvimento de lideranças femininas, maior transparência sobre desigualdades nas organizações, incentivos à presença de mulheres em setores estratégicos e iniciativas institucionais voltadas à redução de barreiras estruturais que dificultam o acesso feminino aos espaços de decisão.


A reflexão apresentada por Marcela Arruda reforça que ampliar a presença feminina nos espaços de liderança exige mais do que reconhecer competências individuais. É necessário construir condições institucionais concretas que permitam a ascensão profissional e a participação efetiva das mulheres nas instâncias de tomada de decisão, fortalecendo a governança e contribuindo para uma gestão pública e privada mais representativa e equilibrada.

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O artigo de Marcela Arruda foi publicado originalmente no portal do jornal Estadão, em 8 de março de 2026, dentro das reflexões sobre o Dia Internacional da Mulher.

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